A construção do ponto do equilíbrio no processo de coaching

October 24, 2016

 

“Todos nós temos um ponto de equilíbrio, um ponto certo em que tudo parece fluir, onde nos sentimos felizes, competentes, em sintonia com tudo ao nosso redor e especialmente talentosos e bem-sucedidos. Parece mágica, mas não é.”

(Peter Bregman)

 

            Um dos exercícios mais comuns aplicados em coaching é a chamada Roda da Vida ou Mandala da Vida. A Roda da Vida trata-se de um círculo dividido em oito, dez ou doze partes, no qual cada parte representa uma dimensão que compõe a nossa vida como por exemplo, carreira, família, saúde, recursos financeiros e por ai vai.

            Esse exercício permite que o coachee visualize em uma imagem como está o equilíbrio da sua vida e sua satisfação dentro de cada esfera. Obviamente, não existe uma roda da vida ideal e única, pois depende dos valores do cliente e de como ele busca a plenitude ao longo do caminho. O ponto é que esse exercício permite que o cliente tome consciência dessa visão geral da vida.  Todavia, o mais desafiador é o próximo passo, que consiste em buscar ações para caminhar da roda da vida atual para a roda da vida desejada.

            Recentemente li o livro “O ponto de Equilíbrio” da Christine Carter, socióloga e pesquisadora do tema felicidade, resiliência e inteligência emocional. Carter desenvolveu uma “fórmula para o equilíbrio”.  É claro que cada um deve buscar sua própria fórmula, mas podemos aprender diversas coisas com esse livro. A socióloga diz que encontramos equilíbrio ao compreendermos a arquitetura da nossa mente e a biologia da tranquilidade. O segredo é usarmos táticas que fluem em harmonia com nosso cérebro e nossa fisiologia. O ponto de equilíbrio é aquele lugar onde temos, ao mesmo tempo, grande força e muita tranquilidade.

 

A fórmula desenvolvida por Carter é a seguinte:

PONTO DE EQUILÍBRIO =

FAÇA UM INTERVALO + LIGUE O PILOTO AUTOMÁTICO + LIVRE-SE DAS AMARRAS + CULTIVE RELACIONAMENTOS + TOLERE ALGUM DESCONFORTO.

           

            Vamos entender um pouco melhor cada componente dessa equação. Fazer um intervalo está ligado a nos permitirmos uma pausa do estado de estafa. Vivemos numa cultura na qual ficar ocupado o tempo todo tornou-se símbolo de realização. Existe uma crença de quanto mais ocupados estamos, mais importante somos. E essa crença tem efeitos colaterais. Nos dedicamos, na maior parte do tempo, a tarefas instrumentais (produtivas, mas não divertidas). E assim, eliminamos da nossa vida as coisas divertidas como brincar e descansar. Nesse cenário, nosso humor se deteriora, nosso nível de cortisol aumenta e ficamos estressados. Precisamos resgatar e respeitar os ritmos naturais da nossa vida. E abandonar o pressuposto de que a vida precisa ser sempre difícil e estressante.

            Ligar o piloto automático consiste em usar a capacidade natural de nosso cérebro de funcionar  no piloto automático, deixando que o inconsciente faça tarefas que, de outra maneira, teríamos que realizar à custa de muita força de vontade. Imagine que se toda fez que você fosse escovar os dentes, precisasse lembrar e se esforçar para cada movimento. Assim, quando criamos hábitos saudáveis facilitamos a nossa vida. De nada adianta sabermos o que é nosso ponto de equilíbrio, precisamos efetivamente fazer coisas no dia a dia que nos levem a esse equilíbrio. Os hábitos ocupam a região do nosso cérebro chama da gânglios basais. Depois que programamos um hábito, precisamos fazer pouco esforço consciente para realizar coisas importantes. A formação de um hábito envolve três esferas: um gatilho, a rotina e a recompensa. Na busca pelo equilíbrio podemos escolher conscientemente e cultivar costumes que sejam interessantes para nós como,  por exemplo, meditar todos os dias pela manhã. Pequenos hábitos consistem em construir habilidades e dar pequenos passos na direção da tranquilidade e rotinas vitalícias.

 

            Livrar-se das amarras é deixar para trás coisas que nos sobrecarregam. Se não nos livrarmos das emoções negativas e sentimentos de exaustão, vivemos com a sensação de que é impossível dar conta de tudo.  Carter mostra algumas estratégias para nos livramos da armadilha da exaustão. Uma delas é elencar as suas cinco maiores prioridades de vida e dizer não para todo o resto. Uma vez que não podemos fazer tudo, precisamos escolher. Precisamos dizer “não” para tudo o que se distancia dos nossos mais altos valores e prioridades.  Outra tática é evitar o conceito de ser multitarefa, pois quando focamos em apenas uma tarefa por vez,  acabamos sendo mais produtivos a longo prazo e ficamos menos exaustos no final do dia. Além disso, desenvolvemos a presença. E por fim, podemos também colocar limites para uso dos e-mails, facebook, whatsapp e todas as ferramentas que contribuem para a perda de foco e dispersão de energia.

 

            Cultivar relacionamentos é uma das maiores fontes de felicidade e satisfação. Para melhorar nossos relacionamentos, precisamos apenas fazer duas coisas: fomentar emoções positivas em relação aos que estão ao nosso redor e aprender a lidar com o fato de que as pessoas vão nos irritar, nos decepcionar e até mesmo nos machucar. Aumentar os vínculos sociais em nossa vida é provavelmente, a forma mais fácil de aprimorar nosso bem estar. Para Carter, nossos relacionamentos mais profundos são continuamente criados e reforçados em tempo real por instantes repetidos de amor e atenção. O amor exige tenacidade e determinação. A socióloga enumera 9 “doenças” que prejudicam nossa conexão com as pessoas: uso inadequado da tecnologia; negócios e trabalho demais; inveja; decepção; previsibilidade e tédio; incômodos e irritações; conflitos não resolvidos; guardar rancor e riqueza.  Outro aspecto interessante levantado pela autora é que a prática da gratidão e da doação fortalecem nossos relacionamentos. Você lembra quando foi a última vez que demonstrou gratidão por alguém? Você lembra da última vez que fez uma doação de tempo, amor ou dinheiro para algo ou alguém?

 

            E para fechar a equação,  ser capaz de tolerar um pouco de desconforto exige a habilidade de ter coragem de seguir nossas paixões e propósito ao invés de seguir a multidão. Já comentei em outro post sobre o lado perverso do conceito “faça o que você ama.” Para alguns, foi criada a percepção errônea de que seguir nossas paixões envolve apenas prazer. O ponto é que para buscarmos propósito e sentido, muitas vezes precisamos quebrar paradigmas, sair do senso comum e tolerar desconforto.  A psicóloga Angela Duckworth definiu a seguinte fórmula: Conquista = Habilidade X Esforço. Ou seja, para certa atividades podemos dedicar pouco esforço pois temos muita habilidade. Mas, pode ser que ainda não tenhamos habilidades suficientes para seguir nosso propósito e assim precisamos de um esforço significativo.

 

            Enfim, sabemos que somos únicos e assim não acredito em “receitas de bolo” para a plenitude e equilíbrio.  De qualquer forma, os conceitos elaborados por Carter permitem ampliar a nossa visão. Convido cada um de vocês a criarem a sua própria fórmula de equilíbrio.

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